sim, mas não...
- douglasrodrigomatt

- há 1 dia
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Quantas vezes o nosso sim, é um seguido de um não... Sim, ultrassonografia tornou-se, principalmente na última década, a principal aliada da clínica de pequenos animais. Mas não para concluir diagnósticos sozinhas, mas como determinante na conduta diagnóstica (ou seja, qual caminho seguir até o diagnóstico) e no monitoramento de lesões.
A ultrassonografia tem se mostrado essencial na busca precoce de lesões, antes mesmo que outros exames marcadores demonstresm alterações. Para isso, o ultrassonografista necessita mantêr-se treinado e atualizado.
Isso justifica também a grande expectativa que os clínicos têm sobre a técnica, e nem sempre se justifica, pois em muitos casos a ultrassonografia não é tão aplicável quanto eles esperam, tornando resultados imprecisos e onerando os responsáveis de maneira injusta.
Vamos falar aqui algumas situações que sim, a ultrassonografia pode ser realizada na busca de lesões mas, não entrega tudo aquilo que o clínico tem de expectativa.
ultrassom sem jejum?
Sim, é possível fazer um exame ultrassonográfico sem jejum. O jejum por muito tempo foi associado à melhora na qualidade do exame devido a redução do gás em trato gastrointestinal. Porém, alguns trabalhos já demonstraram que exames com e sem jejum não tiveram uma diferença significativa na redução da quantidade de gás no TGI. Mas então, porque ainda soliticamos jejum em nossos pacientes?

Devemos lembrar que ao aplicar os parâmetros de normalidade em nossos exames, temos que tentar replicar a metodologia em que as pesquisas foram realizadas e, a imensa maioria das pesquisas que estebelecem os valores de referência foram realizadas com os pacientes em jejum. Portanto, para que você consiga aplicar os valores coletados sem medo, o ideal é que o paciente esteja em jejum.
Espessura da parede do TGI e volume da vesícula biliar são os parâmetros que percebo mais se alteraram nos pacientes que não realizaram jejum.
Além disso, percebo que os pacientes sentem desconforto durante
as manobras de varredura quado estão com o estômago cheio, além de prejudicar a avaliação hepática e de demais estruturas abdominais.
os parâmetros que mais são afetados na minha rotina, nos pacientes sem jejum, são a avaliação do tempo de esvaziamento gástrico e o volume da vesícula biliar!
importante: para graduar e principalmente, monitorar o sedimento da vesícula biliar, é necessário que as condições do exame sejam sempre iguais, ou seja: o jejum é essencial para esse monitoramento. Se você quer saber masi sobre o graduação de sedimento da vesícula biliar, clique aqui!
e as adrenais?
Sim, avaliamos as adrenais durante o exame ultrassonográfico mas não, não diagnosticamos hipercortisolismo nem hipoadrenocorticismo.
O exame ultrassonográfico é um dos mais impostantes aliados no caminho diagnóstico do hipercortisolismo, pois além de conseguir mensirar as adrenais, buscamos lesões nodulares, massas e comprometimento de tecidos adjacentes (principalmente lesões vasculares), além de buscar alterações em órgãos alvo abdominais. Esss estudo torna-se crucial na direção do diagnóstico, ajudando na classificação de um hipercortisolismo adrenal dependente ou ACTH dependente.
A mensuração das adrenais, bem como a sua avaliação morfológica auxilia na pesquisa da hipotrofia das adrenais, que pode estar associada ao hipoadrenocorticismo, seja iatrogênico ou não.

Porém, uma adrenal com dimensões aumentadas (para mais ou para menos) não significa especificamente que ela esteja produzindo mais ou menos hormônios que uma adrenal normal, e por isso, a impressão diagnóstica de um exame ultrassonográfico não imprime o diagnóstico de hipercortisolismo ou hipoadrenocorticismo.
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Nossa impressão diagnóstica se resume à tabela abaixo, conforme os achados ultrassonográficos observados.
DII e linfoma?
Sim, a ultrassonografia vai identificar a alteração intestinal que caracteriza a enteropatia difusa de aspecto crônico mas não, não é suficiente para diferenciar da doença inflamatória intestinal crônica e o linfoma.
Das doenças inflamatórias crônicas intestinais conhecemos duas: enterite linfoplasmocítica e enterite eosinofílica. Já os linfomas, conhecemos três: linfoma de baixo grau, linfoma de alto grau e linfoma de grandes células granular.
Algumas características dessas patologias pode ser observadas na ultrassonografia, como a preservação da definição de camadas (estratificação parietal) ou perda da definição de camadas, já que alguns desses diagnósticos se localizam em camadas espefícicas e outros tem são leões transmurais. Mas mesmo assim, ultrassonograficamente indiferenciáveis.

As principais contribuições da ultrassonografia para essas lesões são duas: identificar que a lesão existe (e diferenciar de outras causas da sintimatologia do paciente) e localizar a lesão, pois a localização da lesão é quem guia o próximo passo: biópsia por endoscopia/colonoscopia ou incisional por laparotomia.
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pancreatite aguda
Sim, a ultrassonografia é a principal aliada do clínico no diagnóstico da pancreatite, revelando alterações pancreáticas agudas as vezes até mesmo quando a lipase do paciente não apresenta alterações.
Mas não, não é sempre que isso é possível. Estudos mostram que alguns cães com pancreatite demoraram mais de 50h para demonstrar achados pancreáticos característicos. Ou seja, em um paciente com sintomas de pancreatite, o pancreas normal ao ultrassom não descarta 100% a pancreatite. O ideal é realizar reavaliação dois ou três dias depois.

Nestes casos, pesquisar lesões adjacentes ao pâncreas pode ser o ideal: duodenite, esteatite adjacente ao pâncreas ou algum grau de efusão, mesmo com o pâncreas normal, podem ser indícios de que algo não vai bem.

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renal
Sim, a ultrassonografia é uma importante ferramenta para avaliação renal: auxilia na diferenciação de lesões agudas e crônicas, localiza as lesões como unilaterais ou bilaterais, demonstra os achados de lesões crônicas muito antes que os rins comecem a dar sinais labotariais de perda de função, além de ser usada para monitorar tais lesões.
Além disso, a ultrassonografia Doppler aliada ao modo B é usada para esse monitoramento e para o diagnóstico da falência renal. Mas, não: a ultrassoografia não avalia a função dos rins.

Os rins possuem inúmeras funções (filtração, excreção, secreção, funções endócrinas, regulação de eletrólitos, etc) e as funções renais são mensuradas em exames específicos, enquanto a ultrassonografica modo B estuda a morfologia do rim.
Já a ultrassonografia Doppler estuda a hemodinâmica dos vasos renais. Muitas vezes, a ultrassonografia modo B e Doppler apresentam alterações precoces à função, ou seja: um paciente diagnosticado como nefropata ao exame ultrassonográfico, é um paciente classificado ao menos no estágio I da IRIS mas, não necessariamente é um insuficiente renal.
Estudos de ultrassonografia contrastada têm se mostrado excelente para a investigação da perfusão renal, que também está relacionada a condições de perda ou não da função renal mas, de maneira promissora, o estudo Doppler da veia renal parece mostrar resultados promissores na investigação da taxa de filtração glomerular.




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