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a aorta abdominal

Uma grande dificuldade em iniciantes e até mesmo para alguns médicos veterinários que já atuam na ultrassonografia é a avaliação dos vasos abdominais. Sim, inúmeros, alguns com maior facilidade ou dificuldade de avaliação e, pertemcem obrigatóriamente a três grupos vasculares: arterial, venoso ou portal.


Você pode apertar o play abaixo e assistir a aula-post sobre este conteúdo, e conferir abaixo o post completo com as referências, aproveite!


Quando falamos em aorta, imediatamente vem a nossa mente um vaso grande, longo, calibroso e, vermelho rs. De fato, a maioria dos livros trás a aorta com essa apresentação por distribuir o sangue rico em oxigênio para os órgaos abdominais e membros pélvicos. Nela, podemos identificar vários diagnósticos como trombos, aneurismas, aterosclerose. Mas nesse post, vamos aprender a usar a aorta a nosso favor.



entendendo a aorta

A aorta abdominal transpassa o diafragma pelo hiato aórtico, localizado entre o diafragma e a coluna torácica, e segue pela porção retroperitoneal dorsal até a região ilíaca, onde se remifica. Durante este trajeto, ela origina várias artérias que distribuem o sangue a diversas estruturas importantes: pelo lado esquerdo, origina o tronco celíaco, atéria mesentérica cranial, atéria frenicoabdominal esquerda, artéria renal esquerda, artéria gonadal esquerda e artéria mesentérica caudal. Já pelo lado direito, origina artéria frenicoabdominal direita, artéria renal direita e artéria gonadal direita.

O estudo da aorta abdominal e das artérias citadas anteriormente não segue um plano único de imagem, e nem mesmo uma única janela de varredura mas sim, vários pontos que são documentados de maneira isoladas mas que, interpretados de maneira conjunta para um diagnóstico. Cada ponto de avaliação, tanto da aorta quanto destas artérias, apresenta variável dificuldade de avaliação a depender de diversos fatores como: conformação anatômica, porte e condição corporal do paciente, presença de conteúdo gastrointestinal, organomegalias e claro, desempenho do aparelho e habilidade do ultrassonografista.

Mas, porquê um post específico sobre a aorta?

Bem, vou deixar com vocês três pontos importantes da avaliação da aorta e explicar o que avaliar em cada um destes pontos.


três pontos cruciais na avaliação da aorta

ponto número 1

Nós podemos avaliar a aorta logo após sua passagem pelo hiato aórtico, na porção mais cranial possível. Para esta avaliação, colocamos o transdutor em posicionamento transversal, com o marcador do transdutor apontado dorsalmente. O transdutor deve varrer a imagem pelo espaço intercostal direito, em linha reta ao processo xifóide. É muito importante que essa linha reta traçada de maneira imaginária em relação ao processo xifóide seja respeitada, o máximo que você vai fazer é incidir o feixe sonoro um pouco cranial ou caldal, apontado em direção a coluna do paciente, até que a imagem da aorta surga na tela.

Nesta imagem, a aorta apresenta-se em corte transversal, como um circulo anecóico de parede fina e hiperecóica. Além dela, de maneira semelhante, observamos a veia cava e a veia porta, além de parte do parênquima hepático.


As vezes, nessa mesma imagem, é possível observar uma pequena parte de duodeno e pâncreas.


é importante pois...

Este ponto de avaliação, neste corte, é importante pois pode presumir (ou identificar) diagnósticos importantes.

Neste ponto, os três grandes vasos (aorta, porta e cava) apresentam visualmente, diâmetro semelhante e, se mensurarmos o diâmetro de cada, vamos utilizar a aorta como referência para relação porta/cava e porta/aorta.


a relação porta/cava deve ser igual ou superior a 0.75 e a relação porta/aporta deve ser igual ou superior a 0.8

Além disso, neste corte algumas vezes observamos um "quarto vaso", que neste caso, pode se tratar de um shunt. Só muito cuidado: às vezes a artéria hepática surge, entre porta e cava e, mimetizar um shunt, sendo algumas vezes necessária a avaliação por um ultrassonografista mais experiente para diferenciar.


A alteração na relação destes vasos costuma estar associada shunt extra-hepático, quando observamos uma veia porta com diâmetro diminuído e uma veia cava com diâmetro aumentado ou, alguma congestão de causa torácica, quando a relação da aorta e porta está preservada, mas a cava apresenta diâmetro aumentado.


Este ponto de avaliação é tão importante que está inserido como parte do protocolo de documentação da ultrassonografia abdominal pelo consenso americano e europeu de diagnóstico por imagem. Então, treinem e tentem fazer, e salvar este corte, em todos os pacientes.


ponto número 2

A origem da artéria renal renal na aorta é um ponto relativamente fácil de identificação durante a varredura abdominal. Com o transdutor em plano longitudinal próximo ao hilo renal, incidimos o feixe sonoro medialmente, passando pelo polo caudal da adrenal e seguindo, ainda medialmente, até surgir a aorta.

A aorta vai surgir como uma estrutura alongada, tubular, anecóica com fina parede hiperecóica e, a artéria renal esquerda se apresenta como uma estrutura tubular e de trajeto curvo, cranialmente, de origem na aorta.

Os primeiros estudos da aorta neste ponto usavam o diâmetro da aorta em corte transversal, ou seja: depois de chegar a este ponto da aorta, seria necessário girar o transdutor 90 graus para que ela ficasse arredondada. Mas os estudos mais recentes apresentam a imagem da aorta ainda em plano longitudinal para a mensuração.


atenção: neste ponto, o diâmetro da aorta é sempre mensurado quando ela estiver mais dilatada! neste ponto, é possível observar a aorta pulsando, aumentando e diminuindo então, quando ela estiver em seu diâmetro máximo, você friza a imagem e mensura =)

é importante pois...

Pois neste ponto da aorta, a literatura cita como um ponto de ancoragem de trombos de origem cardiogênica. Ou seja, você pode encontrar imagens trombóticas neste ponto da aorta ou, já em artéria renal (eu, ainda, não peguei nenhum).

Além disso, o diâmetro da aorta neste ponto é usado como referência para relações anatômicas como: relação rim/aorta, relação cortical/aorta, relação adrenal/aorta.

As relações anatômicas são importantes pois tiram o viés de correlacionar o tamanho das estruturas com o peso.

A maioria das relações estruturas/adrenais consideram o diâmetro da aorta imediatamente caudal a origem da artéria renal, mas alguns estudos relacionam as estruturas com o diâmetro da aorta cranial a origem da artéria renal, portanto, é necessário tomar cuidado qual estudo você está se baseando.


relação rim/aorta

Esta é uma das relações anatômicas mais famosas, e da sque mais uso, é necessário medir o comprimento renal e dividir pelo diâmetro da aorta imediatamente caudal a origem da artéria renal. Essa relação existe para cães e para gatos e fornece informações que determinam se os rins apresentam-se em tamanho normal, reduzido ou aumentado.


relação cortical renal/aorta

Ainda falando em relações do rim com a aorta, é possível estimar se a espessura da cortical renal apresenta-se em tamanho reduzido, espessado ou adelgaçado. Para isso é necessário dividir a média da espessura da cortical renal pelo diâmetro da aorta, imediatamente caudal à origem da artéria renal. Esta relação já foi estudada tanto em cães quanto em gatos e apresenta resultados promissores, auxiliando a estimar a presença de injúria renal aguda ou crônica.

A média da espessura da cortical dividido pelo diâmetro da aorta é usada para a relação da cortical renal com aorta. Fonte: Sim et al, 2025.
A média da espessura da cortical dividido pelo diâmetro da aorta é usada para a relação da cortical renal com aorta. Fonte: Sim et al, 2025.
clicando aqui você acessa uma aula-post com outras medidas de avaliação renal

relação adrenal/aorta

Aqui uma relação que também pode ser utilizada: a maior espessura da adrenal (seja polo caudal, cranial ou sua porçã média) com o diâmetro da aorta. Mas neste trabalho, o diâmetro da aorta foi mensurado cranial à origem da artéria renal.

Vale ressaltar que neste trabalho, as adrenais de cães pequenos apresentaram-se proporcionalmente maior do que os cães de raças médias e grandes, sendo então as vezes necessário conformar a espessura da adrenal com o peso ideal do paciente, confiando aqui no trabalho de Melian et al (2021).

A maior espessura da cortical dividida pelo diâmetro da aorta deve ser usada para a arelação adrenal/aorta. Fonte: Agut et al, 2019
A maior espessura da cortical dividida pelo diâmetro da aorta deve ser usada para a arelação adrenal/aorta. Fonte: Agut et al, 2019
no vídeo desta aula-post você confere detalhes e os valores de normalidade para estas referências

ponto número 3

A extremidade distal da aorta, onde origina as artérias ilíacas é relativamente fácil de identificar. Utilizando muitas vezes a bexiga para sua localização, vamos identificar a aorta em corte tranversal, como uma estrutura arredondada, anecóica de fina parede hiperecóica que, conforme deslizamos o transdutor caudalmente, de tricfurca.


é importante pois...

Pois é o ponto mais comum de encontrarmos ancoragem de trombos aórticos. Estes trombos podem se estender da aorta e seguir as artérias ilíacas, femorais, e por aí vai... Além disso, usamos a aorta nsta porção para localizar os linfonodos ilíaco mediais, que são extremamente importantes na cadeia linfática, por receberem linfa de importantes órgãos abdominais e dos membros pélvicos.

Neste ponto, não usamos a aorta como referência de relação anatômica para nenhuma estrutura, mas sim como referência anatômica para localizar outras estruturas e descobertas diagnósticas.



fontes




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