a ansiedade do clínico, te atrapalha?
- 20 de jul. de 2021
- 4 min de leitura
Pois é seguidougs, temos que trabalhar com a ansiedade não só do clínico, mas também dos tutores... vamos falar sobre isso?
Em geral, recebemos dois tipos de pacientes: 1) Aquele que passou por uma avaliação clínica minusciosa, que já tem alguns resultados de exames prontos e necessita de uma ultrassonografia para que o clínico crie um panorama do paciente; 2) Aquele que passou pela consulta e foi direto para o exame de imagem, esperando que este exame abra os olhos para os próximos passos. Independente de qual destes pacientes está em nossas mãos, temos que 'abraça-lo' e darmos o nosso melhor, então vamos lá!
o paciente já chegou com alguns resultados
Esse paciente é muito mais fácil de lidar, pois alguns resultados já indicam as possíveis condições e possíveis achados do nosso exame. Esse paciente vem geralmente para confirmar uma suspeita clínica ou, o nosso exame vem para agrear informações, que vão auxiliar no estadiamento da doença já diagnosticada. É o caso das endocrinopatias, algumas hemoparasitoses, nefropatias, hepatopatias ou, lesões já encontradas em estudos anteriores, como lesões nodulares e litíases, por exemplo.
Uma coisa que eu sempre falo é que, algumas vezes o 'X' da questão aparece somente no final do exame. As vezes o último achado de exame pode ser o mais importante, o crucial para esclarecer aquele caso, então costumo falar que vou concluir o exame apenas no final ou, que preciso juntar informações de achados de vários órgãos para dar a resposta que ele precisa.
Claro que devemos falar isso em um tom suave, leve, ou de forma engraçada para que o tutor não se sinta mal com a sua resposta.
quando o ultrassom é o primeiro exame
O paciente que vem para o exame como triagem, para descobrir o que esta acontecendo, costuma ter o acompanhante mais impaciente! Pois quer saber logo o que está acontecendo. Não é díficil entender isso: "o Bob estava bem ontem e hoje amanheceu assim!" "A Nina nunca teve isso!" e eles (os pacientes) não falam pra gente, o que está acontecendo!
O que podemos fazer para minimizar essa ansiedade?
Pois bem, eu penso que algumas atitudes nossas podem ajudar, independente se seja um tutor ou o clínico responsável que esteja acompanhando o exame.

1) Procure saber o que esta acontecendo
Muitos (muitos mesmo) pedidos de exame vem com nenhuma suspeita clínica, ou sem nenhuma informação que guie sua varredura, então, antes de colocar o paciente na mesa de exames, procure saber o que levou ele a este exame. Isso não leva dois minutos!
2) Explique seu protocolo de varredura
Deixe claro que o seu exame ultrassonográfico necessita de uma varredura completa, e que isso exige um protocolo a ser respeitado, independente da suspeita clínica (ou falta dela)! Ter um protocolo de varredura é essencial para que todas as estruturas sejam (ou tentem ser) avaliadas! Se você tem um protocolo estabelecido, e se há um problema, ele vai aparecer! Também é interessante dizer, se você prefere assim, que você vai comentar sobre o exame, apenas no final, depois de concluir toda a sua varredura.
3) Não nomeie ou mensure estruturas na frente do acompanhante
Isso é uma coisa que eu pratico há anos! Antigamente, colocava nome em tudo (rins, bexiga, fígado, VB), hoje: raramente! Mensurar durante o exame? No máximo as adrenais! Quando a gente congela a imagem, o tutor se congela junto ("O Doutor achou algo!"). Quando você mensura então... eles entram em pânico! E convenhamos, as vezes o primeiro corte que fazemos não foi o ideal, e depois achamos um melhor para mensurar... ou depois trocamos o transdutor e percebemos que é melhor considerar aquela nova mensuração... então eu deixo para fazer as mensurações sempre no final do exame, de preferência quando o tutor não está na sala. Se quem está acompanhando é o clínico, daí até faço algumas mensurações no final do exame para ele segurar a ansiedade.
4) Sempre deixe claro quais os tipos de informações o exame vai fornecer
Doutor, mas o nódulo é um tumor? É maligno ou benigno? Devo me preocupar? Sim, vez ou outra temos essas questões à nossa frente e não adianta seguidougs: sempre teremos que explicar que o nosso exame vai fornecer informações como aspecto e dimensões, e só!
Mas isso é insuficiência renal? Para essa questão eu costumo usar como referência os carros, e digo: Olha esse rim esta feio! Como um carro todo amassado e velho, mas pode estar funcionando, como o motor de um carro! As vezes ser feio ou bonito não tem relação com estar funcionando bem ou não! E também faço a referência com mecânicos: para fazer um diagnóstico, eles não fazem vááárias aferições? Para avaliar o rim, a mesma coisa, exames de sangue, urinálise, imagem...
Mas o que você acha? Nesse caso primeiro eu dou um choque de realidade e devolvo a pergunta: o que VOCÊ acha? Abre? Não abre? Depois daquele susto inicial, acho que a adrenalina os faz pensar melhor e daí então começo a discutir o caso, fornecendo as informações que o clínico precisa.

Porém, independente de onde você trabalhe, sempre haverão novos clínicos e, tudo o que você já fez para acostumar os clínicos ao seu modo de trabalho, você terá que fazer novamente.
E devo dizer: quanto mais o clínico souber quais informações pode ter com seu exame, menos ansiosos eles ficarão, e também mais prudentes de quando solicitar seu auxílio diagnóstico!





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