entrevistando a seguidoug Cristina Takeda
- 7 de jul. de 2021
- 7 min de leitura

Olá Cristina! Primeiro quero que saiba que fiquei muito feliz em que o sorteio nos
trouxe você para a primeira entrevista!!!
Diz pra gente, quem é @vettakeda?
Sou a Cristina S I Takeda. Nascida em Santos, em 1980. Casada, mãe de uma menina de 5 anos, de um menino de 7 anos e de uma gatinha de 8 meses. Veterinária formada em 2005, pela USP (minha eterna segunda casa). Apaixonada por ultrassonografia e radiologia, música, fotografia e escalada (boulder).
Desde quando trabalha com imagem? E como foi entrar nesse mundo preto e branco?
Desde 2007, após fazer o curso de Especialização em Diagnóstico por Imagem do IVI. Acho que pela minha paixão por fotografia, já me identifiquei com a radiologia desde a época da faculdade, mas na época do estágio obrigatório fiz questão de conhecer outras especialidades (odonto/oftalmo/clínica geral/intensivismo), além da radiologia e ultrassonografia. Em 2007, as coisas eram bem
diferentes dentro da área de imagem, não existiam tantos profissionais na área, como existe hoje e a tomografia e ressonância estavam começando a surgir na realidade da veterinária. Mas, como em qualquer outra área que eu escolhesse seguir, tive que estudar muito e me dedicar intensamente ao que me propus a seguir, fazer muito estágio (trabalhar de graça), trabalhar em horários que ninguém queria, e ir conquistando meu espaço.
Quais foram as suas maiores dificuldades para se consolidar profissionalmente? E como foi sua inserção no mercado de trabalho?
Acredito que a maior dificuldade de quem começa, em qualquer área, é saber lidar com os responsáveis pelos pacientes, pois podem surgir desentendimentos bem desagradáveis. Afinal de contas, lidamos com muitas pessoas que estão passando por uma situação ruim (doença do pet) e acabam ficando desestabilizadas. Então a falha na comunicação pode levar a desentendimentos graves. Com relação à minha trajetória no mundo preto e branco, logo depois que fiz o curso do IVI, fui contratada em um laboratório veterinário em Piracicaba, pra trabalhar com RX. Não achei que estava pronta pra trabalhar com ultrassom, precisava ter mais “olho” e “mão”, ou seja, ganhar experiência. Depois de 10 meses voltei pra São Paulo e comecei a dar plantões em um hospital (somente RX) e fui chamada pra ser trainee (Rx) no IVI. Durante a época do trainee, consegui trabalhar em vários laboratórios. Cheguei a trabalhar em 4 locais diferentes na mesma época, além do trainee. Com o tempo, fui aumentando meus horários no hospital e deixando os laboratórios. Até resolver fazer o curso de Especialização em Ultrassonografia Veterinária do INBRAPEC, em 2010. Comecei a “treinar” a fazer os exames ultrassonográficos nos pacientes internados e acompanhar os ultrassonografista do hospital. Em 2012 , um ultrassonografista me chamou pra me ensinar na prática a fazer exames. E a partir daí comecei a trabalhar nas duas especialidades e não parei mais. Hoje trabalho com as duas especialidades no Centro de Saúde Animal Jardins e na Clínica Veterinária Frei Caneca, além de alguns plantões esporádicos em outros locais.
Dentro da sua rotina, e dos exames que você faz, o que você mais gosta de avaliar, qual exame ou avaliação te encanta mais?
Antes gostava mais de RX, hoje sou apaixonada por Ultrassom. Gosto muito de trabalhar no Centro de Saúde Animal Jardins, por ter a estrutura de um hospital e poder aplicar as técnicas de aprendi no curso de POCUs. Foi um curso que abriu minha mente para muitas outras possibilidades do uso do ultrassom, como avaliação de vias aéreas superiores, avaliação torácica e até para anestesia regional.
E qual avaliação você menos gosta, ou tem maior dificuldade? Porque?
Não que eu não goste, mas acho bem difícil avaliar radiografias de crânio. O que eu não gosto, é de posicionar joelho de animais condrodistróficos, na projeção mediolateral. Eu sempre digo que tenho que entortar o joelho pra endireitar…
Qual foi o seu caso mais desafiador ou mais difícil? Pode falar um pouco sobre ele pra gente?
Acho que o mais desafiador foi um caso de ruptura de vesícula biliar. O paciente, spitz alemão, jovem, havia realizado o exame de ultrassom num sábado, onde estava aparentemente tudo bem, somente mesentério um pouco reativo entre fígado e estômago. Na segunda, ele voltou porque ainda não estava bem, e estava apresentando êmese. Fiz o exame e não encontrava a vesícula biliar, porém tinha muito discreta quantidade (laminar) de líquido livre adjacente ao baço e somente um mesentério bem reativo na topografia da vesícula biliar. Sugeri que tinha rompido a vesícula biliar, já que deveria estar repleta pois o paciente estava em jejum. O mais estranho é que o paciente não apresentava muita dor, nem à palpação e nem durante o exame ultrassonográfico. Clinicamente não condizia com o quadro de ruptura. Optou-se por interná-lo e ir acompanhando durante o dia. Após 4 horas, começou a apresentar líquido livre de alta celularidade. Coletaram o liquido e a análise apontou ser liquido séptico. Foi para a laparotomia exploratória e viram que a vesícula biliar apresentava a parede toda necrosada. Provavelmente foi um caso de colecistite necrosante. O paciente foi encaminhado para a UTI, após a cirurgia e se recuperou bem!
Diz pra gente um pouco da sua rotina.
Sempre trabalhei em centro de diagnósticos, clínicas ou hospitais, nunca fui volante. Gosto de trabalhar em clínicas e hospitais, pelo maior contato com os clínicos responsáveis pelos casos e poder ter um retorno dos casos. Assim aprendo muito mais por ter acesso ao desfecho dos casos. Não gosto de locais que se preocupam com o volume de exames, pois sempre acho que a chance, de deixar passar algum detalhe importante, é maior quando não se tem tempo suficiente para realização dos exames. Sei que vivemos em um mundo capitalista, mas, na minha consciência, dentro da área da saúde, a qualidade do atendimento é que deve ser priorizada.
Você é colaboradora ou é dona do próprio negócio? Esta realizada profissionalmente? Quais seriam seus maiores sonhos dentro da imagem?
Sou colaboradora. Acredito que cheguei onde gostaria, mas ainda tenho novos planos. Não me vejo administrando um negócio meu, mas quando digo que tenho novos planos, sempre está relacionado a aumentar meu nível de conhecimento. Já fiz o curso de ultrassom voltado para intensivistas, que me ajuda muito na rotina do hospital. Agora pretendo fazer curso de Doppler, articular e de crânio. Tenho ciência que para me tornar a profissional que desejo ser, nessas novas modalidades, vou ter que me empenhar muito, como se estivesse começando de novo. Então, tenho um sonho pra ser alcançado que levará bastante tempo da minha vida.
Muita coisa mudou nesses últimos dois anos, diz pra gente como a pandemia afetou sua rotina?
Minha rotina mudou no começo da pandemia, quando trabalhei em dias alternados e mudou novamente no fim do ano passado, quando meu marido foi dispensado do emprego e, com ele em casa para cuidar das crianças, arrumei um segundo emprego, na clínica Frei Caneca. Achei que ia ser difícil aguentar a rotina de trabalhar de segunda a sexta por 10h por dia e acabar ficando praticamente 12 horas por dia fora de casa e ainda trabalhar 12 horas em sábados alternados. Mas, consegui e estou muito feliz com essa nova rotina, apesar de ter menos tempo com minha família. Mas aproveito os finais de semana e os domingos que tenho pra ficar com eles, da melhor forma possível.

Pelo seu Instagram, percebi que temos mais coisas em comum: amamos admirar o
Pôr-do-Sol! Conte pros seguidores, porque isso te encanta?
Sempre gostei de fotografia e os melhores horários de luz para fotografar são exatamente os momentos próximos ao nascer e o por do sol. Fico encantada com a mudança das cores no céu. Se você piscar já perdeu a melhor composição da foto.
As transformações no céu acontecem de forma muito rápida e isso me encanta demais. Depois que virei mãe, eu olho pro céu e agradeço que mais um dia está começando. É como se começasse do zero, mais um dia pra tentar fazer o meu melhor. E quando olho pro céu, no fim do dia, agradeço por ter conseguido terminar da melhor forma possível, quando as coisas dão certo, ou digo pra mim mesma que amanhã virá mais um dia e terei a chance de fazer as coisas serem melhores. A gente nunca acerta o tempo todo e ter virado mãe só me reforçou isso. É um aprendizado constante e o céu é testemunha dos meus esforços.

Cris, você mora na maior cidade da América Latina! Pensa que loucura! Diz pra gente
como é morar na selva de pedra!
Moro aqui desde pequena, então é natural. Quando mudei pra Piracicaba, gostei, mas é um ritmo bem diferente, talvez me acostume quando ficar mais velha e pensar num ritmo mais calmo. O que mais amo nessa cidade é a diversidade em qualquer aspecto, seja de pessoas, trabalhos, esportes, comida, música… e perceber que mesmo sendo uma selva de pedra, existe muita beleza escondida, é só procurar, que conseguirá encontrar.
Eu não tenho dúvidas que sua vida foi outra depois de você virar mãe! Como é ser mãe e médica veterinária e a responsabilidade de criar e inspirar suas crianças! Qual o maior desafio em ser mãe?
Parece que quando a gente vira mãe, uma chave muda na gente. Um monte de sentimentos afloram. A auto-cobrança aumenta demais. Mas aprendi que ser mãe, não é estar o tempo todo certa. Na verdade, é justamente o contrário. A gente sempre acha que não está fazendo o melhor. Pra não enlouquecer, eu tive que aprender que devo viver um dia de cada vez, da melhor forma possível. Aproveitar o agora. Trazer do passado somente a lição aprendida com os erros e deixar pro futuro somente os planejamentos pra me organizar, mas sem ter a ansiedade se dará certo ou não. Tento dar aos meus filhos a oportunidade de conhecerem muitas coisas diferentes, mas sem fazer com que eles se sintam obrigados a gostar do que estou oferecendo. Eles precisam decidir, desde cedo, do que gostam e do que não gostam e, assim, traçar seus próprios caminhos, sem, necessariamente, imitarem a mãe ou o pai. Pra mim, o maior desafio de ser mãe é saber lidar com o medo de fracassar na educação dos meus filhos e não deixar que a ansiedade, gerada por esse medo, interfira no “agora” em que estou vivendo com eles.

Prefere cães ou gatos? E porque Gatos? =)
Antigamente gostava mais de cães, mas aprendi a respeitar e gostar muito dos gatos. Antes não entendia os gatos, achava que sempre eram ariscos, mas aprendi a lidar com eles e saber respeitar o tempo deles.
Qual conselho daria para a Cris de dez anos atrás? E qual recado quer deixar guardado para a Cris de daqui dez anos?
Acho que falaria pra aproveitar mais a vida e deixar a impulsividade que tenho se aflorar mais, porque a vida passa muito rápido. E o recado que deixo para mim daqui a 10 anos é: continue a viver os momentos pra aproveitar a caminhada e não somente a chegada.
Deixe uma mensagem para os colegas Seguidougs, pode ser relacionada a imagem ou algo pessoal mesmo!
Acho que se cada um buscar sempre fazer o melhor, não ser negligente, respeitar o próximo e entender que nunca ninguém sabe tudo e nunca saberá, a humanidade, com certeza, vai evoluir. Então, para que as coisas aconteçam num nível macro (mundo), temos que melhorar, e muito, o nível micro (cada um de nós) e algo que realmente está faltando, hoje em dia, é a empatia. Então, vamos evoluir!

Liiiiiiinda mensagem! eu espero que os seguidougs tenham gostado dessa entrevista, inaugural, assim como eu gostei! Muito, muito obrigado Cris! E semana que vem temos mais uma entrevista com seguidoug!


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